Primeira prestação de contas de 2026 revela diferenças importantes entre os candidatos ao governo de Minas e permite ao eleitor acompanhar o financiamento eleitoral.
A primeira prestação de contas das campanhas para o governo de Minas Gerais já permite enxergar quanto dinheiro está movimentando a disputa pelo Palácio Tiradentes. Até o primeiro levantamento, os 11 candidatos ao Executivo estadual haviam declarado mais de R$ 48 milhões em receitas e pelo menos R$ 26,8 milhões em despesas, segundo dados disponibilizados à Justiça Eleitoral. As informações correspondem à movimentação registrada até 8 de setembro e foram encaminhadas ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais dentro do prazo encerrado no domingo (13). Mais do que mostrar quais campanhas têm maior estrutura financeira, os números ajudam o eleitor a entender como os recursos estão sendo utilizados na corrida eleitoral. A dúvida que ganha força agora é justamente essa: de onde vem o dinheiro das campanhas em Minas e para onde ele está indo? A resposta pode ser acompanhada publicamente pelo sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral.
Kalil aparece com maior arrecadação, enquanto Cleitinho tem campanha mais enxuta
Entre os 11 candidatos ao governo de Minas, Alexandre Kalil (PDT) apresentou a maior arrecadação na primeira prestação de contas parcial, com R$ 14 milhões declarados. O ex-prefeito de Belo Horizonte também informou R$ 12,8 milhões em despesas, o maior volume de gastos entre os concorrentes que já apresentaram valores. Segundo os dados divulgados, aproximadamente 82,9% das despesas declaradas pela campanha de Kalil foram destinadas a serviços prestados por terceiros, especialmente atividades relacionadas à comunicação. A diferença entre receitas e despesas declaradas naquele momento era de cerca de R$ 1,2 milhão, embora os valores possam ser atualizados ou corrigidos posteriormente.
Na sequência aparece Flávio Roscoe (PL), com R$ 10,9 milhões em receitas declaradas, enquanto Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, registrou R$ 10,3 milhões arrecadados e R$ 7,5 milhões em despesas. Patrus Ananias (PT) declarou R$ 8,3 milhões em receitas e R$ 5,8 milhões em gastos, com a produção de programas de rádio e televisão representando uma parcela importante das despesas. Gabriel Azevedo (MDB) informou R$ 3,4 milhões em receitas, enquanto Cleitinho Azevedo (Republicanos), apesar de aparecer na liderança em pesquisas recentes, apresentou R$ 620,6 mil arrecadados e R$ 608,4 mil em despesas. A diferença mostra que intenção de voto e estrutura financeira declarada são fenômenos distintos: uma campanha pode ter grande visibilidade política sem necessariamente estar entre as que mais movimentam recursos.
O que os R$ 48 milhões revelam sobre a disputa em Minas
Os números também permitem observar como cada candidatura está priorizando sua estratégia eleitoral. Enquanto algumas campanhas direcionam grande parcela dos recursos para comunicação, outras apresentam gastos mais concentrados em publicidade, produção audiovisual, aluguel de imóveis, alimentação ou serviços jurídicos. No caso de Cleitinho, por exemplo, 52,48% das despesas declaradas até o período analisado estavam relacionadas à publicidade por adesivos. Para Patrus Ananias, 28,8% dos gastos informados foram destinados à produção de programas de rádio e televisão. Já Flávio Roscoe e Gabriel Azevedo haviam declarado receitas, mas ainda não apresentavam, naquele levantamento, despesas no mesmo nível de detalhamento.
Essa diferença é importante porque a prestação parcial não deve ser interpretada como um retrato definitivo da campanha. Ela registra a movimentação financeira realizada até 8 de setembro, e as informações podem sofrer alterações à medida que candidatos e partidos fazem correções ou novos lançamentos. Além disso, uma despesa registrada não significa necessariamente que o serviço já tenha sido integralmente executado, assim como a ausência de determinado gasto naquele momento não significa que ele não será realizado posteriormente. O principal valor para o eleitor está na transparência: a partir dos dados oficiais, é possível identificar doadores, fornecedores, receitas, despesas e documentos relacionados às candidaturas, permitindo uma fiscalização social que não depende apenas da propaganda eleitoral.
Como o eleitor de Minas pode consultar as contas dos candidatos
Para quem pretende votar em governador, senador ou deputado em outubro, acompanhar as contas eleitorais pode ser uma forma prática de conhecer melhor as campanhas. O sistema DivulgaCandContas permite pesquisar cada candidato e consultar informações sobre receitas e despesas, além de dados do registro eleitoral, propostas de governo e outros documentos. O eleitor também consegue verificar quem são os principais doadores e fornecedores de uma candidatura. Esse acompanhamento ajuda a responder perguntas que normalmente ficam fora dos debates eleitorais, como quais áreas concentram os maiores gastos e quais empresas ou pessoas estão fornecendo serviços para determinada campanha.
A prestação de contas também possui regras específicas para garantir maior controle sobre o financiamento eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais informa que candidatos e partidos são obrigados a prestar contas, enquanto a legislação estabelece quais recursos podem ser utilizados e como as movimentações devem ser registradas. Em 2026, o sistema Conta+JE passou a integrar informações com outras bases da Justiça Eleitoral e órgãos públicos, permitindo automatizar parte do preenchimento e reduzir procedimentos manuais. Para o eleitor mineiro, isso significa que a transparência financeira da campanha está cada vez mais digitalizada e pode ser consultada diretamente, sem depender apenas das informações divulgadas pelas próprias equipes políticas.
Os mais de R$ 48 milhões declarados pelos candidatos ao governo de Minas representam apenas uma fotografia inicial de uma eleição que ainda terá novas semanas de campanha. Até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, os valores podem crescer significativamente e novas despesas serão registradas. Por isso, mais importante do que observar apenas quem arrecadou mais é acompanhar como cada candidatura utiliza os recursos, quem financia suas atividades e quais fornecedores aparecem com maior frequência. Em uma disputa que envolve decisões sobre saúde, segurança, educação, infraestrutura, mineração, agronegócio e desenvolvimento econômico, conhecer também a estrutura financeira por trás das campanhas ajuda o eleitor a fazer uma avaliação mais completa dos candidatos. As contas eleitorais, nesse sentido, deixam de ser apenas uma obrigação burocrática e passam a funcionar como uma ferramenta de fiscalização pública em Minas Gerais.
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