Sucessão no Palácio Tiradentes embaralha o tabuleiro político mineiro às vésperas das eleições de outubro, com Cleitinho na liderança das pesquisas
A política mineira vive um momento de virada. Romeu Zema deixou o comando do governo de Minas Gerais em março, depois de renunciar ao cargo para se dedicar à pré-candidatura à Presidência da República. Quem assumiu o Palácio Tiradentes foi o então vice-governador Mateus Simões, do PSD, que comanda o estado até o fim de 2026 em uma espécie de mandato-tampão. A movimentação, somada à proximidade das eleições estaduais de outubro, levanta uma pergunta recorrente entre os mineiros: quem vai governar Minas a partir de 2027 e como o novo cenário afeta o equilíbrio de forças no estado?
A resposta passa por nomes que já circulam no debate público há meses. Cleitinho Azevedo, senador pelo Republicanos, aparece na frente em praticamente todas as pesquisas divulgadas neste ano. Mas a corrida ainda tem muitos capítulos pela frente, já que as convenções partidárias só definem as candidaturas oficiais entre julho e agosto. Até lá, alianças continuam sendo costuradas, e cada movimento de bastidor repercute diretamente na disputa pelo governo do estado mais populoso do Sudeste fora de São Paulo.
Como foi a transição de poder em Minas Gerais
A saída de Zema do governo mineiro foi anunciada de forma oficial em 18 de março, quando o ofício de renúncia foi entregue à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O governador enviou ofício à ALMG confirmando a renúncia ao cargo a partir do domingo seguinte, 22 de março. A formalização ocorreu durante reunião de plenário, e a partir daquele momento o destino do Executivo estadual já estava definido: a posse de Mateus Simões. O TEMPO
A cerimônia de transmissão de cargo aconteceu como previsto, em dois atos. A Reunião Solene do Plenário ocorreu no domingo, dia 22, a partir das 10 horas, sob o comando do presidente da ALMG, deputado Tadeu Leite, para empossar o vice-governador Mateus Simões como titular do Poder Executivo. Depois da solenidade na Assembleia, o rito seguiu para o Palácio da Liberdade, onde Zema fez seu discurso de despedida e entregou ao sucessor o Colar da Inconfidência, símbolo do cargo de governador de Minas. Na ocasião, Simões agradeceu a condução da transição e afirmou que sua agenda mudaria pouco com a nova função, já que vinha acompanhando de perto o governo desde 2023 como vice. Ele também se comprometeu a visitar todas as regiões do estado, levando temporariamente a sede administrativa para cada uma delas, um gesto simbólico em direção ao interior mineiro, que historicamente reclama de centralização excessiva em Belo Horizonte. Assembleia Legislativa de Minas Gerais
A escolha de Simões como sucessor não foi acidental. Ainda em 2025, ele migrou do partido Novo, legenda de Zema, para o PSD, em uma articulação que teve aval explícito do próprio governador. A troca de sigla foi lida pelo mercado político como parte de uma estratégia para ampliar a base de apoio do grupo governista, somando forças com a estrutura nacional do PSD, comandada por Gilberto Kassab. O movimento buscava blindar a candidatura de continuidade contra o avanço de outros nomes, sobretudo o do senador Cleitinho, que já despontava como favorito nas primeiras pesquisas do ano.
O que as pesquisas mostram sobre a corrida ao governo
Levantamentos divulgados ao longo do primeiro semestre de 2026 indicam um cenário de vantagem expressiva para Cleitinho. Segundo pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, o senador lidera as intenções de voto para governador de Minas Gerais, abrindo mais de 20 pontos percentuais de vantagem para o segundo colocado nos cenários estimulados. O mesmo padrão se repete em outros institutos. A pesquisa Real Time Big Data apontou que Cleitinho lidera os cenários em que aparece, com pelo menos 20 pontos percentuais de vantagem sobre os demais pré-candidatos, enquanto no cenário sem ele Alexandre Kalil assume a liderança. Gazeta do PovoGazeta do Povo
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada no final de abril, reforça essa tendência e detalha possíveis confrontos de segundo turno. De acordo com o levantamento, Cleitinho lidera os cenários estimulados com pelo menos 15 pontos percentuais de vantagem para os demais, e em simulações de segundo turno venceria tanto Kalil quanto Pacheco, Mateus Simões e Flávio Roscoe. Já no cenário hipotético sem a presença do senador na disputa, há empate técnico entre Alexandre Kalil e Rodrigo Pacheco. Gazeta do PovoGazeta do Povo
Apesar da vantagem nas pesquisas, a eleição de outubro ainda reserva incertezas. O quadro de pré-candidatos é amplo e plural. Além de Cleitinho, Rodrigo Pacheco, Mateus Simões, Alexandre Kalil, Ben Mendes, Flávio Roscoe, Gabriel Azevedo, Maria da Consolação e Túlio Lopes também se colocam como postulantes ao cargo. A pulverização de candidaturas tende a se reduzir nas convenções partidárias, marcadas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto, quando os partidos definem oficialmente quem disputará a eleição e quais coligações serão formadas. JOTA
Os próximos passos até outubro
Enquanto as siglas organizam suas estratégias, candidatos já percorrem o estado em busca de apoio institucional e capilaridade política. Um exemplo recente foi a visita do pré-candidato Gabriel Azevedo, do MDB, à Assembleia Legislativa. Segundo o ex-vereador de Belo Horizonte, a ida ao Legislativo representa um gesto de respeito institucional e de abertura de diálogo com todos os campos políticos representados no parlamento. Durante a passagem pelos gabinetes, ele relatou ter pedido aos deputados sugestões sobre demandas regionais e projetos de lei prioritários para compor a agenda de governo, caso seja eleito. O TEMPO
Esse tipo de movimentação deve se intensificar nos próximos meses, à medida que o calendário eleitoral avança. Após as convenções de julho e agosto, a propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV começa em 16 de agosto, intensificando a disputa pela atenção do eleitor mineiro. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro, caso nenhum candidato atinja a maioria dos votos válidos.
Para o eleitor mineiro, a sucessão de Zema por Simões funciona como um ensaio do que pode vir a seguir: um governo de transição que tenta manter a engrenagem administrativa funcionando enquanto a disputa pelo próximo mandato de quatro anos se desenrola nos bastidores partidários. O desfecho dessa equação só ficará claro quando as urnas confirmarem, em outubro, quem assumirá o Palácio Tiradentes a partir de 2027, em um cenário que ainda promete novidades até o fechamento das candidaturas.
Fontes consultadas:
- https://www.otempo.com.br/eleicoes/2026/governadores/2026/3/18/zema-oficializa-renuncia-ao-governo-a-partir-de-domingo
- https://www.almg.gov.br/comunicacao/noticias/arquivos/Assembleia-de-Minas-empossara-Mateus-Simoes-como-governador-do-Estado/
- https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/parana-pesquisas-governador-senador-minas-gerais-marco-2026/
- https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/real-time-big-data-governador-minas-gerais-maio-2026/
- https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/genial-quaest-governador-senador-minas-gerais-abril-2026/
- https://www.jota.info/eleicoes/eleicoes-2026/quem-sao-os-pre-candidatos-ao-governo-de-minas-gerais-nas-eleicoes-2026
- https://www.otempo.com.br/eleicoes/2026/governadores/2026/6/18/pre-candidato-ao-governo-gabriel-azevedo-abre-dialogo-e-busca-sugestoes-na-almg
Autor: Diego Rodríguez Velázquez