Faltando menos de três meses para o primeiro turno, principais legendas ainda não fecharam chapas para a sucessão de Mateus Simões no Palácio Tiradentes.
O calendário eleitoral de 2026 entrou em sua fase decisiva, e Minas Gerais chega ao início das convenções partidárias, marcadas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto, com um cenário ainda indefinido para a disputa pelo governo do estado. A pergunta que mobiliza analistas políticos e eleitores mineiros é: quem, de fato, vai disputar o Palácio Tiradentes em outubro, e como ficam as alianças em um estado que é o segundo maior colégio eleitoral do país? O atual governador, Mateus Simões (PSD), que assumiu o cargo após a renúncia de Romeu Zema em março, desponta como o principal nome da direita na sucessão estadual, mas ainda não fechou nem mesmo o nome do vice em sua chapa, segundo o Estado de Minas.
Como Mateus Simões chegou ao comando do estado
Para entender o momento político atual, é preciso voltar a março deste ano, quando Romeu Zema formalizou sua renúncia ao governo de Minas Gerais para se lançar à disputa presidencial. Na ocasião, Zema afirmou que sua gestão “devolveu Minas Gerais aos mineiros de bem” e fez críticas diretas ao governo federal, sinalizando que pretendia repetir, no plano nacional, o que considerava ter feito no estado. Com a saída de Zema, o vice-governador Mateus Simões assumiu o comando do Executivo mineiro em cerimônia realizada na Assembleia Legislativa (ALMG), conduzida pelo presidente do Legislativo, Tadeu Leite, conforme relatou o O Tempo.
Desde então, Simões vem se posicionando como o herdeiro político de Zema na disputa estadual, mantendo o compromisso de concorrer à reeleição com o apoio do padrinho político e do partido Novo, do qual Zema é filiado. Ainda assim, mesmo essa aliança considerada mais consolidada enfrenta pendências práticas: o nome do vice na chapa de Simões depende de indicação do próprio Zema e do Novo, e ainda não foi definido às vésperas das convenções. Também não está resolvida a disputa pela vaga ao Senado, que envolve o ex-secretário de Estado Marcelo Aro e o senador Carlos Viana, recém-filiado ao PSD, segundo apurou o Estado de Minas.
O tabuleiro político em disputa: direita, centro e esquerda
Enquanto o campo governista organiza sua chapa, outros grupos políticos também trabalham para consolidar candidaturas competitivas. No espectro mais à direita, o nome do senador Cleitinho Azevedo aparece como uma possibilidade que ainda gera expectativa, com sinalização de que o anúncio de sua decisão só deveria ocorrer após o fim da Copa do Mundo, encerrada em 19 de julho, um dia antes do início oficial das convenções. Levantamentos recentes chegaram a colocar Cleitinho à frente de outros nomes cotados, incluindo o próprio Mateus Simões, o que ajuda a explicar por que parte do campo bolsonarista segue aguardando uma definição antes de fechar posição.
No centro político, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) retorna à disputa estadual depois de ter sido derrotado por Zema em 2022, dividindo espaço com o estreante Gabriel Azevedo (MDB). Já no campo da esquerda, o Partido dos Trabalhadores ainda busca consolidar um nome próprio, depois que a tentativa do presidente Lula de convencer a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, a disputar o governo estadual não avançou como esperado. A disputa também conta com pré-candidaturas de partidos menores, como a de Indira Xavier, pela Unidade Popular, que já concorreu ao cargo em 2022, e a do influenciador digital Ben Mendes, lançado pelo partido Missão, segundo mapeamento do Estado de Minas.
Por que Minas Gerais pesa tanto na disputa nacional
A indefinição em torno da corrida estadual ganha relevância ainda maior quando se considera o peso de Minas Gerais no cenário político nacional. O estado reúne o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma funcionar como um termômetro político que influencia diretamente a disputa presidencial, o que explica por que partidos de diferentes espectros ideológicos disputam espaço nos palanques mineiros. Historicamente, o estado costuma chegar às urnas com um número expressivo de candidaturas ao governo: foram dez postulantes em 2022, nove em 2018 e sete em 2014, um padrão que tende a se repetir também em 2026, segundo análise da Transmissão Política.
Esse contexto de indefinição, aliado ao histórico de fragmentação política do estado, deve manter as próximas semanas de convenções partidárias como um dos principais assuntos da política nacional, especialmente porque decisões tomadas em Minas Gerais tendem a repercutir diretamente na disputa presidencial. Quem quiser acompanhar de perto os desdobramentos da sucessão de Mateus Simões e entender como a saída de Zema já vem moldando o tabuleiro político mineiro pode conferir também a cobertura anterior da Tribuna Mineira sobre o tema, que detalha os efeitos da transição de governo no equilíbrio entre os grupos políticos do estado.
Até o fechamento oficial das candidaturas, previsto para o início de agosto, alianças, chapas e eventuais desistências ainda podem mudar significativamente o cenário eleitoral mineiro. Para o eleitor, a recomendação é acompanhar de perto os anúncios das convenções partidárias nas próximas semanas, já que decisões sobre vices, coligações e candidaturas ao Senado ainda estão em aberto e devem se definir apenas nos últimos dias do prazo legal, estabelecido pela Justiça Eleitoral para o pleito de outubro.