Paulo Roberto Gomes Fernandes, sob a perspectiva do planejamento logístico e da infraestrutura energética, examina que o avanço da produção do pré-sal, já evidenciado em 2013, impôs ao Brasil um desafio que segue atual em 2026: ampliar e modernizar a rede de dutos terrestres com rapidez, segurança e racionalidade econômica. À época, a discussão sobre novas tecnologias para a construção de oleodutos e gasodutos ganhou relevância diante da percepção de que a malha existente era insuficiente para sustentar o crescimento da produção e da distribuição de petróleo, gás e derivados.
Em 2013, o debate já indicava que não bastava investir apenas na exploração em águas profundas. A logística em terra surgia como elo crítico de toda a cadeia, exigindo revisão de normas técnicas, atualização regulatória e abertura para métodos construtivos mais modernos, alinhados às práticas adotadas nos principais produtores mundiais.
Limitações regulatórias e a necessidade de atualização técnica
Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, um dos principais entraves identificados naquele período estava na defasagem do Regulamento Técnico de Dutos Terrestres da Agência Nacional do Petróleo. Embora relativamente recente, o marco regulatório não contemplava métodos construtivos já consolidados em outros países, como a utilização de dutos aparentes em larga escala.
Essa limitação regulatória restringia soluções que poderiam reduzir custos, encurtar prazos de execução e ampliar a capacidade de monitoramento e manutenção das linhas. Em um cenário de expansão acelerada do pré-sal, a rigidez normativa passou a ser vista como fator de risco, capaz de comprometer a eficiência logística justamente no segmento mais simples da cadeia, quando comparado à complexidade da produção offshore.
Segurança, monitoramento e lições de acidentes internacionais
Paulo Roberto Gomes Fernandes aponta que a discussão sobre inovação tecnológica em dutos ganhou ainda mais força diante de acidentes internacionais registrados naquele período. Explosões e vazamentos em oleodutos, associados tanto a falhas operacionais quanto a ações criminosas, evidenciaram a importância de sistemas avançados de monitoramento e prevenção de riscos.
O uso de tecnologias capazes de acompanhar o comportamento das linhas em tempo real, por meio de sensores, sistemas acústicos e monitoramento remoto, passou a ser apontado como alternativa eficaz para reduzir riscos ambientais e operacionais. Em 2026, esses recursos já são considerados padrão em projetos de grande porte, confirmando a pertinência das discussões iniciadas anos antes.
Comparações internacionais e o gargalo logístico brasileiro
Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, a dimensão reduzida da malha dutoviária brasileira sempre contrastou com o potencial produtivo do país. Enquanto grandes produtores mantêm redes extensas e capilarizadas, o Brasil entrou no ciclo do pré-sal com uma infraestrutura terrestre limitada, incapaz de absorver volumes crescentes de produção e distribuição.
Essa discrepância tornou evidente que o desafio logístico poderia se tornar um fator limitante ao desenvolvimento energético. A ampliação da malha de dutos passou, então, a ser vista não apenas como investimento setorial, mas como estratégia nacional para garantir competitividade, segurança de abastecimento e eficiência operacional no longo prazo.
Métodos construtivos inovadores e quebra de paradigmas
Na análise de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a adoção de métodos construtivos alternativos representaria uma ruptura necessária com modelos tradicionais. A utilização de dutos aparentes, suportados por sistemas específicos, permitiria reduzir intervenções ambientais, minimizar desapropriações e acelerar significativamente o ritmo das obras.

Esse tipo de abordagem também simplifica operações de manutenção e inspeção, reduzindo custos ao longo do ciclo de vida dos ativos. Em vez de escavações extensas e logística pesada, a construção poderia ocorrer de forma mais modular, com impactos ambientais controlados e maior previsibilidade de prazos. Em 2026, a discussão sobre sustentabilidade e eficiência reforça ainda mais a relevância dessas soluções.
Inovação tecnológica e reconhecimento internacional
Paulo Roberto Gomes Fernandes compreende que o reconhecimento internacional de tecnologias desenvolvidas no Brasil naquele período demonstrava que o país possuía capacidade técnica para liderar soluções inovadoras em infraestrutura de dutos. A integração entre métodos de escavação, lançamento de tubulações e sistemas de suporte avançados apontava para um futuro no qual projetos antes inviáveis poderiam ser retomados com novos parâmetros de custo e segurança.
A apresentação dessas soluções em fóruns internacionais reforçou a percepção de que a inovação não depende apenas de grandes investimentos, mas de visão estratégica, engenharia qualificada e disposição para revisar paradigmas consolidados.
Lições de 2013 à luz do cenário de 2026
Nota-se, então, que as discussões iniciadas em 2013 permanecem atuais e oferecem lições importantes para o presente. A expansão do pré-sal evidenciou que gargalos logísticos podem comprometer ganhos obtidos na produção. A modernização regulatória, a abertura à inovação e o planejamento de longo prazo seguem como condições essenciais para o desenvolvimento sustentável do setor energético.
Em 2026, torna-se claro que investir em tecnologias inovadoras para a construção de dutos não é apenas uma opção técnica, mas uma decisão estratégica. A capacidade de antecipar demandas, atualizar normas e adotar soluções mais eficientes define o ritmo com que o Brasil consegue transformar seu potencial energético em resultados econômicos, sociais e ambientais consistentes.
Autor: Harris Stolkist